A três

A cama rangeu uma vez, duas vezes, infinitas vezes. Eram três horas da manhã, e ele se retorcia na cama. O ranger continuava e entrava em sua cabeça o enlouquecendo. Havia no mínimo três semanas que ele não trepava. E a maldita cama do apartamento do andar de cima não parava de ranger.

Ao menos ainda não começou a gritaria – pensou. Pareceu ser telepatia, começou a gritaria! Ô beleza, agora sim a sinfonia estava completa: Cama rangendo, estocadas na parede, gente gemendo e para completar três semanas sem trepar.

Aqueles ganidos de prazer iam o embalando num tesão tão louco e inoportuno que o deixava cada vez mais puto. Sexo no andar de cima, ele na secura no andar debaixo. E os gemidos aumentavam em harmonia com as estocadas na parede.

A esta altura do campeonato o membro já estava içado. A mão a roçar o corpo cheio de insônia e prazer alheio. Uma boa e bela cusparada na ponta do mastro foi dada, preparando para mais uma noite de swing. Enquanto o vizinho do andar de cima trabalhava, ele freneticamente se masturbava. Pedia para que o companheiro não chegasse ao êxtase antes dele.

Gemidos, estocadas, camas rangendo, agora nos dois andares, trepada e punheta.

Três minutos de luxúria. Três pessoas lascívias, três semanas sem trepar, três horas da manhã, três gozos simultâneos.

Viraram para o lado e dormiram... três sonos tranqüilos.

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